Iguape, Ilha Comprida, Juréia, onde???
Não estava nos planos, aliás, não era pra viajar nesse final de ano que não fosse para a praia de costume (Penha-SC). Eis que surgiu a oportunidade de dar uma esticadinha no final de semana para a cidade de Iguape. Vocês devem estar se perguntando, onde diabos fica isso???
Acredito que na percepção de muita gente (e na minha errônea também), quando se fala do estado de São Paulo, lembramos de imediato das cidades grandes e tumultuadas como a capital São Paulo. Mas a gente se esquece é que existem sim outros destinos no estado que reservam ótimas surpresas. Quando soube que iria visitar um cliente na cidade de Registro, tratei logo de procurar na internet algum destino perto que pudesse emendar o final de semana e descansar um pouco. Não queria agito, pelo contrário, queria um lugar diferente. Para minha surpresa achei Iguape, uma cidadezinha antiga localizada no litoral sul do estado de SP, no Vale do Ribeira.

Já tinha ouvido falar de lá, mas não tinha a mínima idéia de como era. Então, sexta a tarde, depois de cumprir com minhas obrigações empresariais, fomos (eu + maridex) rumo a esta cidadezinha pitoresca. A estrada que liga a BR 116 à Iguape é calma e quase não há tráfego nesta época do ano. No caminho uma minúscula cidade chamada Pariquera-Açu, foi melhor mesmo ter abastecido por aqui, pois no restante do percurso não encontramos nenhuma alma viva. Muito menos postos de gasolina. Só mato e mata atlântica… Uns 70 km de vegetação nativa. Aos poucos um vilarejo foi aparecendo e finalmente avistamos muita água, sinal que chegamos à Iguape!
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Simples, beeeeem antiga e acolhedora. Iguape é um daqueles lugares que ainda resiste ao tempo. Oficialmente, a cidade foi fundada em 3 de dezembro de 1538 – gente ela tem 471 anos
. A real data da fundação é desconhecida. Alguns chegam a acreditar que já havia europeus vivendo na região mesmo antes do descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral. O registro oficial foi baseado em documentos históricos com datas, mas o povo de lá jura que Iguape é mais antiga do que isso. A arquitetura local é bem peculiar. A cidade ainda preserva com patrimônios tombados, fachadas e estilos da época colonial. As ruelas são pequeninas, algumas não passam carros, outras apenas um. Tem uma praça bem charmosa e uma Basílica caprichada que atrai muitos fiéis todo anos em romarias.

Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape




Mirante do Cristo

Além dos atrativos históricos, a natureza é exótica e exuberante. A região é bem servida de trilhas, cachoeiras e muita mata atlântica. Ao chegar à cidade você já percebe que não é bem mar as águas que banham Iguape. Parece um rio gigantesco, com canais pra todos os lados. É que na verdade Iguape faz parte do “Complexo Estuarino-Lagunar do Mar Pequeno“, hããã??? Peraí, deixa eu traduzir, esse complexo é mais conhecido como LAGAMAR, que compreende as cidades de Iguape, Ilha Comprida, Pariquera-Açu, Cananéia (esses em SP), Guaraqueçaba (PR) até Paranaguá. O Lagamar corresponde a um dos maiores trechos de manguezais no Brasil, são cerca de 3 mil km2. Ele é abastecido pelas águas de 14 rios que descem a Serra do Mar e se combinam com o Oceano Atlântico. O resultado é o que se vê em Iguape, um labirinto de canais, uma mistura de água salgada e doce, rica em peixes, moluscos, crustáceos, mamíferos e aves. Até uma lontrinha eu vi nadando perto da Pousada.

Porém não pense que por causa dessa riqueza toda você vai encontrar tudo que é tipo de peixe para comer por lá. A pesca caiçara para sustento limita-se a apenas sete tipos: o robalo, o peixe-galo, o parati, a tainha, a pescada amarela, o bagre urutu e a corvina. Nos restaurantes, é bem comum o robalo (carro chefe na maioria deles) e claro o linguado, mas esse não vem na água salobra não. Vem do mar. Aliás, o mar está ali pertinho, pois Ilha Comprida fica logo alí, depois da ponte. Como vocês devem imaginar, pelo nome, a ilha é beeeeem comprida, mas fiquei surpresa ao saber que são 74 km de extensão!!! A praia não acaba nunca, pra ser bem sincera, passeamos de carro por alguns quilômetros beira mar, mas logo voltamos. Por causa da junção dos rios com o mar, a água é bem escura e nada convidativa ao banho. Pode ser também que não tivemos sorte por causa do tempo, choveu muito por esses dias.

Depois da ponte é Ilha Comprida. Lá no fundo dá pra ver o mar, mas a cor da água é a mesma do Lagamar.

Beira Mar compriiiida…
A 15 km de Iguape, sentido norte está a Juréia. A Estação Ecológica Juréia Itatins é considerada um dos cinco últimos santuários ecológicos do mundo, isto é, um dos cinco últimos lugares do planeta que não foram atingidos pela devastação. Protege cerca de 80.000 hectares de Mata Atlântica e ecossistemas associados como restingas, manguezais, planícies fluviais, praias, vegetação de topo de morro e costões rochosos. Para chegar de Iguape a Juréia, é preciso pegar uma balsa e atravessar o Rio Ribeira de Iguape, deságua aqui. Nesse lugar ecológico ao extremo, dizem haver trilhas lindas e cachoeiras de tirar o fôlego, mas não fizemos nada disso não. O tempo não estava ajudando muito (garoa) e dessa vez (talvez a primeira na vida) estávamos bem sossegados. Só demos uma volta na pequena vila, olhamos a praia da Juréia e voltamos pro aconchego da pousada…



Praia da Juréia.

15 Comentários 9 de dezembro de 2009

